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quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Itália: primeiro mundo!????

E não é que a crise se abateu sobre a Itália mesmo. Nas últimas semanas virou o alvo preferido dos investidores e especuladores de bolsa. Mas o pior de tudo é que é uma crise não só do mundo financeiro, o país está descobrindo que em todos os sentidos, a crise está presente mesmo.

Alguns números de 2010:

O crescimento do país é de 0,1%

A dívida pública é de 120% do PIB

Uma de cada quatro pessoas está desempregada


O que se diz é "a Itália não é a Grécia", "o país é sólido", "os títulos de estado tem vencimento de 7 a 10 anos", "a população não está endividada e tem bons rendimentos na poupança". Enfim, argumentos para tranquilizar não só o público interno, mas principalmente o "mercado".


Ontem, tio Berlusca se apresentou no Parlamento italiano para 1) garantir que o país não vai a falência, 2) os parlamentares podem entrar de férias que a economia aguenta a barra até setembro, 3) sim, a crise existe, e ele - Presidente do Conselho dos Ministros - está preocupado de como os mercados estão punindo a Itália, afinal "tenho três empresas cotadas na bolsa".


Nem bem ouvi ele terminar essa frase e me soou um alarme enorme. O chefe do governo vai na principal Casa do povo para dizer que está preocupado com as suas empresas privadas!!! Enquanto isso o povo amarga desemprego, aumento de preços dos produtos básicos e uma crise geral. Belas palavras, Cavaliere!

domingo, 12 de setembro de 2010

Grampos escandalosos

Minha leitura da revista Internacional voltou de férias. Qual foi a minha surpresa quando li a notícia de que na Gran Bretanha eles estavam escandalizados pois descobriram que jornais grapearam políticos e figuras públicas.

Sim, parece que já ouvi essa história antes. No Brasil, me lembro do caso Kroll, de vários anos atrás.

No início de 2010, também a Itália viu o assunto ser o centro das atenções. Até que lançaram uma lei para impedir de grampear e, principalmente, de publicar nos meios de comunicação o conteúdos dessas conversar privadas. A "Legge Bavaglio" ficou muito tempo na boca do povo e, agora que a poeira baixou não se fala mais na dita "lei da mordaça" para a imprensa.

Pois agora veio a tona que os jornais de Murdoch tinham uma enorme rede de escuta, e usava essa informações para barganhar apoio, fazer "negócio" ou arrancar uma capa para a revista semanal News of the World. Outro ponto complicante do caso é que o ex-diretor dessa revista, Andy Coulson, agora é um dos braços direitos do recém empossado Primeiro ministro britânico David Cameron.

A história começou em 2006, durante uma investigação a polícia de Londres descobre os grampos, algumas cabeças rolam e somas são transformadas em ressarcimento às vitimas, e termina com a sujeira varrida para debaixo do tapete. Mas eram outros tempo e o governo era outro. O troca-troca de cadeiras fez com que aqueles (laburistas) que antes abafaram o caso, agora sejam favoráveis a reabertura do processo. Aqueles (conservadores) que incentivavam as investigações, hoje dizem que são só boatos.

Parece que essa novela eu já conheço...

Obs importante: os dois países (Itália e Inglaterra) não colocam limites sobre a propriedade dos meios de comunicação e deixam o monopólio livre-leve-e-solto. Berlusconi e seu império Mediaset; e Rupert Murdoch e News International (grupo de tantos jornais e revistas) e Sky (tv por satélite).

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Itália também tem mensalão

Mais uma vez a corrupção, envolvendo membros do governo Berlusconi, vem a tona e, ainda assim, aqueles com as mãos sujas insistem em declarar-se inocentes.

O "bode expiatório" da vez é Guido Bertolaso, chefe da Defesa Civil, cargo de nominação do Primeiro Ministro e instituição chamada a agir em casos de emergências/catástrofes mas também para organizar grandes eventos como encontro do G8 do ano passado.

Escutas telefônicas revelam que Bertolaso e alguns empresários entravam em acordo sobre certos valores e comemoravam, dizendo ser necessário aproveitar a oportunidade já que "não é todo dia que acontece um terremoto".

No dia seguinte, o exemplar funcionário entrega sua carta de demissão e admite "descuidos" nos mais de 10 anos de prestação de serviço. Os meios de comunicação colocam luz sobre o escândalo, alguns investigados são levados a responder em juízo, e muitos condenam o grande responsável Bertolaso.

Alguns dias depois, ele recebe um telefonema do chefe de governo pedindo que permaneça no cargo. Berlusconi insiste para que Bertolaso só se afaste quando for comprovada corrupção, ou melhor, a culpa.

Estamos a dois meses das eleições regionais (escolha do governador), e é então que o mesmo Berlusconi faz uma declaração dizendo que, no seu partido, não serão aceitos candidatos corruptos. Mas que fique claro, depois de um julgamento e declarados definitivamente culpados.