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segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Ghost bike - a primeira de Jaraguá do Sul

Descobri esse termo – e o que está por trás dele – há alguns meses, quando um estudante de jornalismo da UFSC estava fazendo o TCC sobre o assunto e a chegada do “movimento” à Floripa. Acompanhei apaixonada o vídeo (através de um blog sobre bike da capital catarinense) e percebi o quanto as pessoas conseguem se organizar em torno de um tema.

Primeira ghost bike de Jaraguá homenageia Alcides Ortiz

Aqui em Jaraguá também foi preciso apelar para a bicicleta fantasma para tentar alertar a população sobre a violência no trânsito e a falta de respeito com os ciclistas. Um trabalhador morreu no dia 31 de julho, quando um motociclista bateu nele vindo pela contramão.

Se fossem colocar uma para cada morte aqui em Jaraguá do Sul, este ano já seriam seis! É de se preocupar e muito, ainda mais com o apelo cada vez maior que existe pela substituição de carro. Transporte público tá difícil, carona solidária não é lá muito comum... sobra a bike, mas tem que ser seguro, ne?! A Prefa tem um projeto bom para implantar ciclovias e ciclofaixas, mas os motoristas ainda são reticentes para respeitar este espaço. Mudança cultural leva tempo, eu sei, mas espero que não custe tantas vidas

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Coletiva bizarra


A entrevista coletiva para imprensa mais bizarra que já vi na vida aconteceu essa semana, e o pior, deixei de aproveitar a oportunidade e não inclui os pormenores na matéria e não servi o “molho” para o texto. Meu colega/concorrente deu, meu chefe disse que ia me orientar para colocar, e é claro, tomei. Mas aprendi.... vamos aos detalhes.

Nas redes sociais da cidade só se fala disso, o dono de uma agência de modelos que estaria aplicando golpes. Escrevi a matéria e liguei para o acusado para ouvir o lado dele. O homem não quis falar e ainda me ameaçou. A matéria saiu no final de semana e ele só pode procurar a imprensa na segunda feira (chorou o final de semana todo). Foi quando me ligou dizendo que daria uma coletiva esclarecendo as acusações.
Chamei uma outra jornalista, de uma revista, que está encabeçando a lista das denúncias e levando a história toda a diante. Ela não havia sido convidada, mas fomos juntas. Outro jornal da cidade também estava lá, repórter e fotógrafo. O homem se recusou a falar com a colega da revista, disse que a atenderia depois e no fim só entregou uma folha de papel com declarações. Outro jornal só foi recebido meia hora depois que saímos, a coletiva deles era mais tarde!!!

Na sala dele, os três repórteres ouviram muito e perguntaram pouco. Um assistente/segurança cuidava da câmera que estava gravando tudo. Num vaso, outra câmera escondida piscava enlouquecidamente. As provas que ele apresentou eram blocos de notas que não se via nada, pois o carimbo devia ser muito ruim ou velho demais. E um currículo de umas quinze  páginas, composto por trechos de e-mails. Vê se pode.

A entrevista terminou, todos se retirem, mas “Débora, você pode ficar um momento, por favor”. Aquele momento foi desnecessário! O homem já não tinha mais o que falar, nunca deve ter dado uma entrevista coletiva antes, e achou que fazendo aquele drama todo ia me convencer da inocência dele.
Mas enfim.... essa história ainda está muito longe de terminar. Depois que o inquérito policial estiver pronto eu conto o resto, ou quando formos chamados para outra coletiva desse tipo, para novas risadas.

Ah! Uns causos da vida de jornalista... Esses são mais leves, garanto
Outro dia fui numa loja e comecei a olhar blusinhas, quando a vendedora apareceu e ofereceu ajuda. A cara dela não me era estranha, mas sempre fico sem graça de perguntar “te conheço?”. Então foi ela quem começou o questionário: é da universidade? Do grupo de teatro? Da academia? Nada. Até que disse que trabalhava no jornal, aí ela lembrou que nos encontramos no hospital, quando fui fazer uma matéria sobre a falta de médicos.

Essa semana, outra vez, num velório (minha mãe ia adorar!). O homem me cumprimentou, achei que era um desses políticos que dá oi pra todo mundo, retribui o sorriso e fiquei procurando nos arquivos da memória de onde eu lembrava dele. Não aguentei e acabei perguntando, foi tranquilo, sem drama. O melhor é mesmo não criar caso e ser sincero, sempre! “Desculpa, não me lembro de onde te conheço. Como é mesmo seu nome? Você faz o que mesmo?” Pode parecer descaso, mas cheguei a conclusão de que é melhor esclarecer logo.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Itália: primeiro mundo!????

E não é que a crise se abateu sobre a Itália mesmo. Nas últimas semanas virou o alvo preferido dos investidores e especuladores de bolsa. Mas o pior de tudo é que é uma crise não só do mundo financeiro, o país está descobrindo que em todos os sentidos, a crise está presente mesmo.

Alguns números de 2010:

O crescimento do país é de 0,1%

A dívida pública é de 120% do PIB

Uma de cada quatro pessoas está desempregada


O que se diz é "a Itália não é a Grécia", "o país é sólido", "os títulos de estado tem vencimento de 7 a 10 anos", "a população não está endividada e tem bons rendimentos na poupança". Enfim, argumentos para tranquilizar não só o público interno, mas principalmente o "mercado".


Ontem, tio Berlusca se apresentou no Parlamento italiano para 1) garantir que o país não vai a falência, 2) os parlamentares podem entrar de férias que a economia aguenta a barra até setembro, 3) sim, a crise existe, e ele - Presidente do Conselho dos Ministros - está preocupado de como os mercados estão punindo a Itália, afinal "tenho três empresas cotadas na bolsa".


Nem bem ouvi ele terminar essa frase e me soou um alarme enorme. O chefe do governo vai na principal Casa do povo para dizer que está preocupado com as suas empresas privadas!!! Enquanto isso o povo amarga desemprego, aumento de preços dos produtos básicos e uma crise geral. Belas palavras, Cavaliere!

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Pragas do Egito

Lembro de quando era pequena, chegava no final da tarde e minha mae dizia para fecharmos as janelas para não entrar mosquito em casa. Parece que a hora boa do entardecer também é o momento dos pássaro.

Desde o mês passado, todo entardecer é povoado por milhares de pássaros que fazem uma dança no céu. A imagem é ao mesmo tempo bonita e assustadora. Aquela montoeira de bandos, perdidos e seguindo direções disconexas, indo e vindo para todos os lados, parece uma das pragas do Egito, pois é muito similar à nuvens de insetos.

Principalmente nas margens do Rio Tevere, onde estão muitas árvores e em algumas praças, se vê claramente a presença dos voadores. Eles acabam por escurecer a paisagem, de tão numerosos.

Outro dia, passando por uma dessas praças, ouvi o barulho de tumúlto, achei que fosse alguma manifestação que passaria por mim. Não era nada disso! Era os passarinhos, muito ruidosos. No dia seguinte, me dei conta de que, além dos pássaros, tinha um outro barulho estranho.

A prefeitura (acho que foram eles) encarregou empregados para estarem embaixo das árvores com um alto-falante que faz o som de gaviões. Os funcionários precisam se equipar com proteção, viram quase astronautas, contra as cagadas e a poluição sonora. No fim, parece que funciona; pelo menos enquanto os astronautas estão por ali.